domingo, 16 de outubro de 2011

CRIAÇÃO DA CAPITANIA DO PIAUÍ

            O primeiro núcleo populacional do Piauí originou-se de uma fazenda fundada por Domingos Afonso Mafrense. Nas proximidades do local formou-se um povoado com uma capela filiada à freguesia de Cabrobó, do Bispado e Capitania de Pernambuco. O povoado foi elevado a categoria de freguesia em 1696, sob a invocação de Nossa Senhora da Vitória, sendo desligado do Bispado de Pernambuco.
            Através da Carta Régia de 30 de junho de 1712 a freguesia foi elevada à condição de vila, com a denominação de Mocha, ficando sua administração a cargo da Capitania do Maranhão até 1717, quando a Vila da Mocha foi efetivamente instalada e em 1718 criou-se a Capitania do Piauí.
            Apesar de elevada à categoria de Capitania e oficialmente separada do Maranhão a partir de 1718, somente em 1758 foi realmente instalada, sendo nomeado o primeiro governador no mesmo ano. O escolhido para a função foi João Pereira Caldas, que tomou posse em 20 de setembro de 1759 em ato solene perante o Senado da Câmara na Vila da Mocha.
            A Vila foi eleita sede da Capital do Piauí, recebendo o nome de Oeiras em homenagem a Sebastião José de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras, e posteriormente conhecido como Marques de Pombal. A denominação de São José do Piauí, como era conhecido a Capitania à época, deu-se em honra a D. José I, rei de Portugal.
            Pela Carta Régia de 19 de junho de 1761, a Vila da Mocha foi elevada à categoria de cidade e Capital da Capitania. As freguesias de Parnaguá, Jerumenha, Valença, Campo Maior, Marvão(hoje Castelo do Piauí) e Parnaíba foram elevadas à condição de vila.b
            Pereira Caldas iniciou a construção dos primeiros prédios públicos na recém-criada Oeiras. Esta foi a Capital do Piauí de 1761 a 1852, quando ocorreu a transferência da sede do Governo para a Vila Nova do Poti, hoje Teresina.       
            O motivo que levou Oeiras a perder a condição de Capital foi a difícil situação em que vivia, pois além de desprovida de gêneros alimentícios estava distante dos grandes rios que faziam a comunicação com o Sul e o extremo Norte.

PRINCIPAIS GOVERNANTES COLONIAIS
JOÃO PEREIRA CALDAS (1759-1769)

            João Pereira caldas, natural de Valença, Portugal, governou o Piauí no período que foi de 1759 a 1769, sendo o primeiro governador da Capitania recém-criada. Ao assumir o comando político da Capitania, encontrou o Piauí com apenas um município, cuja sede era Vila da Mocha, e sete freguesias. Uma de suas primeiras medidas foi confiscar os bens dos jesuítas e os expulsar da Capitania, seguindo decisão tomada pelo Marquês de Pombal. Pretendia-se com essa atitude combater o poder e o prestigio da Companhia de Jesus, que controlava boa parte das fazendas de gado da região, as quais lhes foram doadas por Mafrense.
            Dentre as realizações de seu governo destacam-se:
- a criação da Secretaria de Governo, da Província Real da Fazenda e o Almoxarifado;
- a elevação de várias freguesias à categoria de Vila;
- organização das Forças Regulares da Capitania com efetivo de 2.774 homens;
- a criação de um correio, inicialmente para as correspondências oficiais;           
- a realização de um censo demográfico e econômico de toda Capitania.
            O final de seu governo foi marcado por uma guerra contra os índios timbiras, gueguês e acaroas, residentes no Sul do Piauí.

GONÇALO LOURENÇO BOTELHO DE CASTRO (1769-1755)
Recebeu o governo de Pereira Caldas. Destacou-se pela violência contra os índios gueguês, acaroás e mais tarde os pimenteiras. As principais realizações de seu governo foram:
- criação dos coreios entre Oeiras e as Vilas da Capitania (1770);
- fundação do aldeamento de São Gonçalo do Amarante (atualmente Regeneração)  
            Ainda em sua gestão o Piauí foi anexado ao Maranhão, perdendo a sua independência como Capitania. 

“A história é êmula do tempo, repertório dos fatos, testemunha do passado, exemplo do presente, advertência do futuro.” (Miguel de Cervantes)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A PRÉ-HISTÓRIA DO PIAUÍ - O PARQUE NACIONAL DA SERRA DA CAPIVARA

Hoje, quando se fala em Pré-História do Brasil ou mesmo da América é necessário citar o Estado do Piauí, mais precisamente o município de São Raimundo Nonato, distante setecentos quilômetros da capital, Teresina. Este município ganhou destaque nacional, e até mesmo mundial, a partir da década de setenta, quando tiveram início naquela região as pesquisas arqueológicas realizadas pela missão franco-brasileira comandada pela arqueólaga Niède Guidon.
            As primeiras notícias dos vestígios arqueológicos no Piauí surgiram em 1963, quando o então Prefeito de São Raimundo Nonato procurou o Museu Paulista para mostrar fotografias de pinturas rupestres de sua região. Foram vistas por Niède Guidon, arqueóloga do Museu. Ela reconheceu serem trabalhos pré-históricos de um tipo não conhecido no Brasil.
            Graduada em História Natural, em 1964 ela foi para França e especializou-se em Arqueologia.
            Em 1970, a arqueólaga fez uma visita ao município de São Raimundo Nonato. Três anos depois, começaram as suas pesquisas sobre as pinturas rupestres, objeto de sua tese de doutorado na França.
            Foi firmado um convenio entre o Brasil e a França que reuniu vários especialistas entre ecólogos, botânicos, químicos, físicos, parasitologistas, geólogos e antropólogos, os quais começaram os estudos para compreender a interação homem e meio em épocas remotas.
            As escavações tiveram início em 1978, na Toca do Boqueirão da Pedra Furada e se estenderam por dez anos, permitindo a descoberta de vestígios que foram datados pela técnica do Carbono 14, alcançando até 60 mil anos. Restos de pinturas foram encontrados em camadas muito antigas, sendo, portanto, as primeiras manifestações de arte pré-histórica na América.
            Alem das pinturas, foram encontrados também ossos de animais, instrumentos de pedra lascada e fogões-pedras dispostas em torno de fogueiras.
            As descobertas realizadas por Niède Guidon e sua equipe concluíram que em São Raimundo Nonato, no Piauí, viveram antepassados do homem há cerca de 60 mil nãos.
            Em 1979, a Serra da Capivara foi transformada em Parque Nacional para proteger a área que possui o mais importante patrimônio pré-histórico do Brasil. Desde 1961, esse imenso acervo está inserido na UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade. 
FONTE: Estudos Regionais, geografia e história do Piauí -Joselina Lima Pereira Rodrigues