sábado, 31 de março de 2012

A EDUCAÇÃO COMO UM CAMPO DE LEGALIDADE E DA ÉTICA

Hoje a educação é um direito constitucionalmente reconhecido a todos os brasileiros. Gestão democrática, igualdade, liberdade e qualidade estão entre os seus principais princípios a nortear o ensino público, que apesar das significativas transformações nas últimas décadas, ainda demanda de mudanças no caminho da promoção da justiça social.   
            Na Antiguidade Clássica, o povo (demos) eram  homens livres que desfrutavam de completa liberdade e participação nas decisões políticas. A maioria da população mulheres, escravos e estrangeiros eram desprovida do exercício pleno da cidadania.
            Democracia, palavra de origem grega que significa poder do povo, para o povo e com o povo se contrastava com a realidade vivida pelas classes marginalizadas, vistas como seres inferiores e desprovidas de direitos.  Assim como ocorrido na Antiguidade Clássica, o provimento de privilégios no espaço público, infelizmente ainda é inerente a nossa realidade.      
            Diante de tantas lutas e embates ao longo da nossa historia, a humanidade tem assistindo a muitas mudanças em quase todos os sentidos da vida humana. As lutas por igualdade de direitos persistem até os dias de hoje em busca da tal sonhada equidade social.
            No campo da educação, a luta por acesso, sucesso, igualdade de aprendizagem e qualidade de ensino configura-se em se fazer valer de fato as políticas públicas e leis que legitimam uma educação igualitária para todos.  
            No entanto, analisando a nossa historia mais uma vez, o Brasil é herdeiro de uma política clientelista, de favores e do toma lá da cá. Os reflexos dessa herança podem ser facilmente vista em nosso meio, através da indicação ao provimento do cargo de diretores nas escolas públicas do nosso país, materializando-se num jogo de interesses entre políticos e elite.
            Percebe-se então, que apesar de a nossa Constituição em seu artigo 205 colocar que “...a educação será promovida e incentivada com a participação da sociedade”, esta encontra-se marginalizada do processo democrático, assim como o próprio principio.
            Nesse contexto, a tarefa da educação não é sobrepor-se aos interesses individuais em detrimento dos interesses coletivos. A escola pertence aqueles que dela usufrui, ou seja, o público, uma vez que todo o seu trabalho deverá ter como foco os interesses da comunidade da qual ela é inserida, pois gestão democrática se constrói com a participação da sociedade, ao contrario a democracia passa a ser uma utopia onde a voz dos diferentes sujeitos que compõe a escola não passará de um eco perdido no tempo.
            Os dribles e um jeitinho pra tudo característico também do Brasil favorecem que cada vez se vivencie comportamentos contrários ao cumprimento da lei. Nesse sentido a formação de valores morais e éticos é diretriz a fundamentar a educação. A educação pública não pode ser feita de posturas privadas, visto que pertence a todos em condição de igualdade. Para isso a educação além de formar indivíduos, críticos, deve levá-lo a compreender o seu papel como cidadão no que diz respeito ao cumprimento de direitos e deveres.    
             Etimologicamente a palavra ética vem do grego ethos, que quer dizer o modo de ser, o caráter. Os romanos traduziram o ethos grego para o latim “mos”, que quer dizer costume, de onde vem a palavra moral. Comportamentos éticos, atitudes morais e valores não nascem com o ser

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